ENTREVISTA
Dr. Pedro Otavio Enes Barreto
Clínico Geral | Geriatra | Gerontólogo
CRM 52 42866-7
poenesbarreto@gmail.com
Única instituição de longa permanência no estado do Rio, o Hospital Manoel Cartucho de Castro atende atualmente 120 pacientes, de Campos e várias cidades da região, conjugando excelente assistência médica, psicológica, fisioterápica, fonoterápica, nutricional e assistência social com algo ainda mais indispensável a quem está doente: atenção e carinho. O corpo clínico composto por uma equipe multidisciplinar competente sob a direção de Dr. Pedro Otávio Enes Barreto.
Instalado em local privilegiado com mais de dois mil metros quadrados de área verde e ambientação tranquila, a unidade de saúde teve a destinação escolhida por seu doador, o comerciante Manoel Cartucho de Castro que fez questão de deixar a chácara da família, em testamento para instalação de um hospital. No dia 5 de abril de 2001, foi oficializado o seu credenciamento à rede de saúde, e realizado o primeiro plantão médico sob a chefia do clínico geral,Dr. Dilzete Moralles Bittencourt.
Após mais de 10 anos em atividade, o Manoel Cartucho hoje é conceituado como um hospital de referência, onde a maior parte dos pacientes, formada por pessoas idosas, tem os cuidados e tratamentos necessários à melhora de sua qualidade de vida.
Para falar sobre a assistência realizada pelo Manoel Cartucho, a Revista Saúde Press entrevista o Dr. Pedro Otávio.
SP - O Hospital Manoel Cartucho é um hospital de longa permanência. O que isso significa?
PO - É um hospital onde os pacientes normalmente permanecem por tempo indeterminado, porque são portadores de doenças crônicas e necessitam de cuidados médicos e de outras especialidades, o hospital é credenciado para o atendimento mas áreas de reumatologia, doenças osteoarticulares, cardiovasculares, pulmonares crônicas e neurológicas.
A instituição é mantida pela Santa Casa de Misericórdia de Campos com recursos advindos da secretaria municipal de saúde.
SP - Qual é o perfil da clientela desta instituição?
PO – As patologias supra citadas acometem principalmente pessoas idosas, acarretando-lhes seqüelas motoras e neurológicas que comprometem tanto a motricidade como as funções cerebrais, e consequentemente levando a perda de autonomia e independência.
A maioria dos nossos clientes depende de ajuda de terceiros para a realização das atividades de vida diária ( tomar banho, vestir-se, alimentar-se...) e tomar decisões sobre a sua vida.
SP – Como explicar o numero tão grande de pessoas idosas?
PO- Pelo fato da população idosa ser a que mais cresce em nosso país. Em Campos já chegamos a taxa de 12% acima de 60 anos que está no mesmo patamar das grandes cidades brasileiras.
Apesar dos avanços nas ações desenvolvidas pela secretária de saúde do município, já mostrarem bons resultados na prevenção de doenças prevalentes na terceira idade (Hipertensão arterial, Diabettes, Dislipidemias), existe ainda a necessidade de implementar programas específicos para essa faixa etária, como por exemplo a criação de centros de referencias, centros- dia, que são locais onde além de assistência médica, orientação e pratica de atividades físicas são desenvolvidas atividades culturais, que beneficiam também as funções cerebrais, trazendo benefícios àqueles que apresentam deficiência de memória.
SP - Não poderiam ser cuidados em casa?
PO – Poderiam sim, mas para tal é necessário que as famílias tenham recursos financeiros para custear cuidadores, fisioterapeuta, fonodiólogo, consultas médicas, muitas vezes material para curativos, alimentação apropriada para àqueles que utilizam sonda gástrica ou nasoentérica e medicamentos.
Na atualidade torna-se mais difícil ainda, cuidar de um ente querido em sua residência, devido a impossibilidade de se disponibilizar membros da família para tal função. Isto porque as mulheres que sempre foram as grandes cuidadoras, nos dias de hoje, participam ativamente do mercado de trabalho para melhorar a renda familiar, em decorrência da dificuldade econômica vivida pela maioria da população brasileira. Os jovens se encontram em situação semelhante a de seus pais, alem disso buscam através da educação obter melhor qualificação profissional.
SP - Como os pacientes chegam ao hospital?
PO - Vêm de suas residências, ou encaminhados de hospitais da rede pública ou privada, de nossa cidade e de municípios de nossa região, porém a demanda espontânea é a prevalente. Hoje existe uma lista de espera de pacientes que se encontram em suas casas. Tal fato demonstra a necessidade de intensificar, como já dito anteriormente, ações de medicina preventiva e aumento do numero de leitos de longa permanecia.
SP - Como é o dia-a-dia deles?
PO - Eles recebem cuidados de nossa equipe multidisciplinar, necessários à manutenção de sua integridade física e emocional além disso oferecemos lazer em espaços apropriados tanto ao ar livre com também em áreas especificas de nossa estrutura física. Podemos citar ainda a pratica de atividades físicas em grupo como de grande valia não somente para as funções motoras com também para as funções cerebrais.
SP - Qual o número de funcionários?
PO - Temos sete médicos plantonistas, sete médicos diaristas, oito enfermeiros, um farmacêutico, uma estagiária de farmácia, uma assistente social, um psicólogo, três fisioterapeutas, uma fonoaudióloga, uma nutricionista e 59 técnicos de enfermagem, além do pessoal administrativo e funcionários responsáveis pela limpeza e higienização que são prioridades para o bom funcionamento de nosso hospital.
SP – Além da secretaria municipal de saúde quais são as outras fontes de recursos?
PO – A secretaria municipal de saúde é a nossa principal fonte arrecadadora, que além dos repasses do SUS, suplementa nossa receita mensal com recursos próprios do município.
A sociedade nunca deixou de ser parceira do Hospital Manoel Cartucho de Castro, desenvolvendo atividades de lazer, recreativas, vários tipos de doações: roupas, alimentos, lanches, etc. Não podemos deixar de dar destaque ao importante papel do Rotary Clube de Campos, instituição que nos últimos meses nos presenteou com gerador de eletricidade, equipamentos hospitalares ( camas, oximetros, bombas de infusão) que compõem a nossa unidade de pacientes graves, dentre outras coisas.
SP – O que representa o Hospital Manoel Cartucho de Castro para a saúde do município?
PO- O nosso objetivo é proporcionar a nossa clientela um tratamento digno, objetivando sempre que possível a reabilitação total, mas quando isso é inviável, nos esforçamos para adaptá-los a nova realidade de vida, e que os mesmos possam ser reintegrados as suas famílias e a sociedade com maior independência e autonomia ( capacidade de tomar decisões sobre a própria vida) trazendo menos desgaste à família e ao cliente.
Para o sucesso de nosso trabalho sempre envolvemos a família nos cuidados de seus dependentes, sem o qual pode inviabilizar todas as nossas ações desenvolvidas.
Mantemos um número significativo de altas hospitalares, elevado em se tratando de instituição de longa permanência. No momento da alta a família é orientada por nossa equipe sobre a maneira que deverá proceder daí por diante.