sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ser médico



Hoje, após a missa de sétimo dia do nosso querido Dr. Pedro Otávio, chamado por nós, funcionários do Hospital Manoel Cartucho, de Dr. Pedro, refleti sobre sua passagem por aqui.
Assim que assumiu a direção clínica do Cartucho, como costumava chamar, de forma muito íntima, como se fosse sua segunda casa, Dr. Pedro passou a contagiar a todos com seu entusiasmo por aquele lugar, e desde então lançou um desafio: transformá-lo em um local onde os pacientes se sentissem bem, num ambiente que respirasse vida e esperança. Eu, particularmente, fui uma das contagiadas por esse entusiasmo e, quando tive oportunidade, me engajei em seus projetos, trabalhando ao seu lado como psicóloga.
Ao longo desses quatro anos que passamos juntos no Hospital, tive a oportunidade de ver de perto e participar de sua atuação como médico, presenciei seu amor pelo oficio no carinho ao lidar com os pacientes e colegas de trabalho, um homem que soube como ninguém respeitar seus semelhantes, sempre ponderado e ético, buscando ver o melhor de cada um de nós, e acima de tudo nos dando oportunidade de crescer, pois sempre nos dava aulas, tinha prazer em dividir o seu saber e, em ensinando, também aprender.
Impossível não  lembrar das suas chegadas ao Hospital, quando fazia questão de parar o carro nos fundos para que pudesse andar por todas as enfermarias, ver e falar com todos os pacientes e funcionários, até chegar sala principal, para então olhar cuidadosamente as papeletas e fazer a prescrição, sempre acompanhado de algum colega, pois quando chegava tinha sempre alguém de prontidão para auxiliá-lo. Andar ao seu lado era um privilégio, era uma oportunidade de enriquecimento profissional e pessoal.  O detalhe é que sabia de cabeça quem eram os 120 pacientes, seus nomes e suas enfermidades.
Dr. Pedro adorava juntar os colegas na sala de reunião, e com seu jeito brincalhão, não livrava ninguém de suas piadas; Alcedina e Célia “Guerreira” que o digam. Nunca se furtou em atender ninguém, mas só dava receita se visse o paciente. Não raro acabava atendendo também às famílias dos pacientes, aos funcionários, às famílias e aos amigos dos funcionários, e até ao vizinho do Hospital, que virou seu amigo. A frase que mais se ouvia: Dr. Pedro resolve simplesmente porque sempre se doou, foi além...
Por tudo isso, Dr. Pedro se tornou especial, querido e admirado, ele deixou sua marca aqui, bem como em outros lugares, mas o Cartucho era a sua “menina dos olhos”, era o seu amor. Isso eu posso garantir por não ter sido apenas sua colega de trabalho, mas por ser sua filha.

 “Não cuido apenas de uma doença, cuido de uma pessoa que tem sentimentos, angústias, pessoas que às vezes só precisam falar e receber um pouco de atenção”. No que pregou e praticou, esta foi a lição de Pedro Otávio Enes Barreto.



Livia Motta Enes Barreto Abreu Barbosa

Chá Fraterno - Tarde agradavél marcada por lindas homenagens


     No dia 12/04/2012 as "sombras de nossas Jaqueiras" foi realizado o 1º Chá Fraterno do Hospital de Apoio Manoel Cartucho de Castro. O evento teve como objetivo arrecadar fundos para que pudessemos continuar realizando o Projeto de Tardes de Artesanato, onde o objetivo é fazer um trabalho de terapia com os pacientes, como ja relatado neste blog.
    

     Durante o nosso chá, pudemos expor a nossa Lojinha "Com Arte", que alem de expor e vender os trabalhos de nossa Artesa Lu Monteiro, nos pudemos expor os trabalhos realizados com os pacientes durante as tarde de artesanato, como as toalhas e algumas bijuterias.


     Não podemos deixar aqui de agradecer aos nossos colaboradores, Rotary Club de Campos São Salvador que com seus incansaveis presidentes Ricardo e Ana Marcia Cruz, pudemos realizar e organizar esse lindo evento, Euclides Buffet, Edna Toledo, Lions Club de Campos, Floricultura São Salvador, Jornal Folha da Manhã, Junio Vidal que com sua musica alegrou e emocionou a todos, todos os que compareceram e colaboraram de alguma forma com o nosso 1º Chá Fraterno.

    

     O chá tambem foi marcado por uma linda homenagem ao nosso querido Dr. Pedro Otavio Enes Barreto, que infelizmente nos deixou na ultima segunda-feira, dia 9/4/2012, onde recitamos o refrão da musica Vento no Litoral, do Renato Russo:

"Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...
Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar "do CARTUCHO"
Queremos ser felizes ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem..."


 

Chá Fraterno

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Cartucho está em Luto.

              MORRE O MÉDICO PEDRO OTÁVIO ENES BARRETO



 
Morreu na tarde desta segunda-feira, aos 55 anos, o médico Pedro Otávio Enes Barreto. Vítima de um câncer na bexiga, contra o qual lutava há cerca de um ano, ele faleceu por volta das 16h50, cercado por familiares, colegas, amigos e ex-pacientes, no Hospital Prontocardio, onde estava internado desde a última terça. O velório está sendo realizado no auditório da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), desde a noite de hoje, de onde seu corpo seguirá para ser sepultado nesta terça-feira (10), no Cemitério do Caju.
Em 25 de janeiro deste ano, Pedro Otávio recebeu o prêmio de “médico do ano”, concedido pela Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC), num auditório repleto de colegas que o ovacionaram de pé. Era o reconhecimento a quem após se formar na FMC, na turma de 1983, se tornou um dos clínicos gerais e geriatras mais conceituados da região, diretor clínico do Hospital Manoel Cartucho e médico cuja prática não conhecia limites entre a saúde pública municipal de Campos, onde frisava ter se dado sua verdadeira formação profissional, e do seu concorrido consultório particular, no qual atendia com igual atenção quem pudesse ou não pagar por sua atenção, chegando várias vezes a ministrar, por meio de amostras grátis, os remédios para cura que prescrevia.
Ainda na medicina pública, Pedro Otávio foi também, entre 2005 e 2006, o primeiro secretário de Saúde da prefeita Carla Machado, em São João da Barra, que nesta segunda-feira teve luto oficial decretado pela morte. Ele foi ainda professor da FMC, destacando-se não só pela insistência na humanização da formação dos novos médicos, como colocando-a também em prática nos tradicionais churrascos que organizava na própria casa com todas as suas turmas.
Embora trabalhador compulsivo, era conhecido por manter o mesmo hábito, sempre que possível, com toda uma legião de amigos, colecionados às centenas, sem nenhuma distinção de raça, credo, idade ou classe social. Todavia, mais do que a devoção e os princípios humanitários com os quais praticou a medicina, talvez tenha sido pela maneira como chegou à ela o maior motivo da admiração irrestrita por Pedro Otávio.
Com apenas 16 anos, vítima de um acidente automobilístico que o deixou tetraplégico, ele se dedicou durante um ano ao mais árduo trabalho de fisioterapia para andar novamente. E mesmo voltando a fazê-lo com limitações motoras e o auxílio da inseparável muleta, nunca buscou essa em ninguém para guiar sozinho o próprio carro, entre  tantas frentes de trabalho, saindo de casa quase sempre de manhã e só regressando tarde da noite, fazendo por sacerdócio a missão de curar nos outros toda dor que um dia sentiu. Se o tamanho dos homens é medido pela grandeza dos seus desafios, raro se conheceu, na sua terra e no seu tempo, um homem maior que Pedrinho