domingo, 27 de maio de 2012

Carta enviada ao Luciano Hulk.

  Olá Luciano,
    
    Trabalho no Hospital de Apoio Manoel Cartucho de Castro que é uma instituição carente e é o único hospital no estado do Rio de Janeiro de longa permanência (um hospital onde os pacientes normalmente permanecem por tempo indeterminado, porque são portadores de doenças crônicas e necessitam de cuidados médicos e de outras especialidades como fisioterapia, fonoaudiólogia, dentre outras) com 120 leitos. A maior parte dos pacientes são idosos, ex-moradores de rua, que apresentam doenças que comprometem tanto a motricidade como as funções cerebrais, e conseqüentemente levando a perda de autonomia e independência. A maioria depende de ajuda de terceiros para realização das atividades de vida diária (tomar banho, vestir-se, alimentar-se, etc..) e tomar decisões sobre a vida, o que acarreta alem de problemas patológicos, problemas sociais pois alguns pacientes poderiam ser cuidados em casa, mas para tal é necessário que as famílias tenham recursos financeiros para custear cuidadores, fisioterapeuta, fonodiólogo, consultas médicas, muitas vezes material para curativos, alimentação apropriada para àqueles que utilizam sonda gástrica ou nasoentérica e medicamentos. Com isso, alguns pacientes tem o carinho dos familiares que os visitam e estão impedidos de te-lo em casa por falta de recursos financeiros e temos pacientes que alem desses problemas, são deixados aqui e que as famílias não vem visitar e contam sempre com o carinho e atenção de nos funcionários.

O Hospital de Apoio Manoel Cartucho de Castro em Campos dos Goytacazes (RJ) era uma chácara que foi doada por um comerciante da cidade, que fez questão de deixá-la em testamento para instalação de um hospital, que então recebeu o nome do doador.

O nosso objetivo é proporcionar aos nossos pacientes um tratamento digno, objetivando sempre que possível a reabilitação total, mas quando isso é inviável,  nos esforçamos para adaptá-los a nova realidade de vida, e  que os mesmos possam ser reintegrados as suas famílias e a sociedade com maior independência e autonomia (capacidade de tomar decisões sobre a própria vida) trazendo menos desgaste à família e ao paciente.
           
Para o sucesso de nosso trabalho sempre contamos com a ajuda e a “boa-ação” dos nossos amigos no intuito de conseguir doações de alimentos, roupas, materiais de higiene pessoal e limpeza, medicamentos, materiais para curativos. Ano passado nos realizamos uma festa-junina e esse ano já realizados um chá-fraterno no intuito de arrecadar fundos para o nosso hospital para realizarmos pequenas reformas e o chá fraterno foi no intuito de arrecadar fundos para que os nossos pacientes pudessem realizar um projeto de artesanato onde nossos funcionários (enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêutica, psicóloga) fazem um serviço voluntario a tarde com os pacientes (como você poderá ver pelas fotos) de realização de artesanatos proporcionando alegria e os tirando da ociosidade. E hoje estou aqui para pedir a sua “boa-ação”.


Com muito sacrifício e com ajuda da comunidade, conseguimos pintar parte do hospital. Tenho sonhado com o término da reforma do nosso “Hospital-Lar” a fim de dar mais dignidade àqueles que tanto sofrem. Nos precisamos de reforma nos banheiros (pois hoje nossos pacientes passam para o banheiro pelo o corredor, e as vezes por eles serem demenciados eles vão nus, faltando dignidade aos mesmos, sonhamos que os banheiros fossem ligados as enfermarias), necessitamos de um galpão coberto para a realização dos projetos de artesanatos, onde alem do artesanato temos momentos com musicas, poesias, danças com os pacientes pois hoje esse projeto é realizado ao ar livre as sombras de nossas jaqueiras e no inverno e nos dias chuvosos, infelizmente esse trabalho não pode ser realizado. Nós temos necessidades de cadeiras de rodas e cadeiras de banho. Temos uma piscina em um local coberto mas infelizmente nossos pacientes não podem fazer uma hidroginástica pois nos não temos um aquecedor.

Se em tudo isso você não puder nos ajudar, gostaríamos que ao menos invés do “lata velha”, você realizasse um “cama velha”, pois hoje nossas camas são retas e nos impossibilita de uma postura para alimentar os nossos pacientes corretamente, porque elas não fazem “Fawler”.

Todos os nossos funcionários são muito motivados no intuito de ajudar aos pacientes a ter uma melhor qualidade de vida. Nosso sonho seria fazer um “lar-doce-lar” ou quem sabe você não faria um “Cama Velha” e nos ajudaria a dar mais dignidade aos nossos pacientes nesse momento tão difícil na vida dos mesmos?

Luciano, venha nos fazer uma visita sem compromisso, se você não quiser se identificar, pode vir fantasiado, tenho a certeza que quando você nos visitar você também ira abraçar essa causa junto com a gente e nos ajudará, o que te pedimos é isso, uma visita. Nossos pacientes não pediram para estar aqui, mas tenho a certeza que com a sua ajuda, você poderá tornar esta permanecia deles aqui muito melhor.